O que dizer quando a mente é religada a sétima ou oitava série ao fim dos anos 80...
Foi quando a indústria de gibis resolveu embaralhar os quadrinhos adultos e juvenis nas prateleiras.
Não dava mais para sair com os mesmos de sempre das bancas. Ler quadrinho se tornou outra coisa, havia neles algo sujo, pervertido.
Me lembro do Marshal Law, com um arame farpado enrolado no braço e uma máscara sado-masoquista, ele dizia que caçava heróis mas até o momento não havia encontrado nenhum.
Realmente era hora de encarar, os heróis não podiam existir nem nos quadrinhos... A merda do mundo estava desabando de vez, era hora usar qualquer leitura disponível para ficar esperto, paranóico, isso podia salvar sua vida.
De fato, vários amigos dos doze pros dezoito morreram ali do nosso lado, violentamente. O estrago já estava feito, não haveria mais criança brincando na rua sem uma mãe minimamente consciente saber onde.
Os argumentistas passaram a se preocupar em dizer, vamos saber o que é o ser humano, vamos saber o que é a política, os heróis foram encobertos pro uma sombra pessimista, a resposta ao cenário real não podia ser outra, uma luta nunca terminava, o sabor de triunfo era uma respiração curta.
O filme começa nos anos cinquenta quando a 2ª Guerra e por fim a Bomba haviam saciado as inclinações sádicas da humanidade como o gozo de uma masturbação doentia. Nos lembramos "oh somos humanos, a imagem de Deus!". Os EUA de fato nunca saíram dos 50’s, sempre voltam lá procurando lembrar qual era mesmo seu sonho.
A música de Bob Dylan ao fundo bate nostálgica e dolorida, os heróis de Allan Moore e Dave Gibbons são personagens de parque de diversões congelados numa fotografia, os tempos estão mudando diz a canção. Eles serão vilões, eles odiarão o mundo do qual deverão se defender.