domingo, 18 de abril de 2021

 


Y Corp

 

A moto do correio finalmente parou diante da caixa, o coração de Philip acelerou. Em segundos estava ele do lado de fora, olhando para a correspondência mal viu o rosto do carteiro, assinou o recebimento e o logo da Y Corp fez seu coração bater na garganta era a resposta que esperava, seu sonho poderia se tornar real!

A carta dizia: “Terminado o processo de recrutamento você foi selecionado para integrar o quadro de executivos da empresa”.

Abaixo a localização da sede principal da empresa em uma pequena cidade feita para os altos funcionários desenvolverem seus trabalhos dentro de totais condições, com prestadores de serviço sempre prontos e bem treinados a servir, assim como estava na chamada do recrutamento “Seja Um de Nós”, viver em uma ilha de segurança e prosperidade. Junto da carta um cartão de acesso eletrônico para abrir o portão.

Ele havia acreditado e conseguido, como valeram os caríssimos cursos e palestras para executivos! De qualquer forma sentia que esse era seu meio, não se conformava com o comodismo das pessoas com quem sempre convivera, o dia após dia de sua mãe brilhando a casa para receber as vizinhas e conversar sobre novelas, as pescarias do seu pai saindo na velha bicicleta.

Antes de ir ainda faltava uma coisa, passou na concessionária e trocou seu carro por um modelo à altura da sua nova posição e pegou a estrada. O lugar não era tão longe, antes do pôr do sol conheceria sua nova casa já mobiliada, naquela cidadezinha acolhedora.

A placa na rodovia indicava a estrada secundária que levava ao seu destino, tudo transcorria perfeitamente em um lindo dia de céu azul. O envelope da empresa com seu diploma de vencedor ia como seu passageiro no banco ao lado, de tempos em tempos ele o olhava para garantir que ainda estava ali. O logo da companhia o fazia refletir sobre o “Y” que lhe dava nome. Os braços erguidos dos vitoriosos, também o cromossomo masculino da virilidade, da conquista, da decisão, daqueles que impõe ao mundo suas regras.

O GPS no carro indicava que estava chegando. Sim, o portão da cidade protegida por uma cerca elétrica erguia-se imponente, era hora de usar o cartão enviado junto com a carta. O portão abriu e uma voz feminina deu boas-vindas falando seu nome.

A estrada até a cidade era curiosamente longa com imensas árvores sombreando a área, por vez ou outra um brilhozinho de sol conseguia passar pela folhagem, galhos e troncos que se interpunham.

Com a tarde já no fim abriu-se uma clareira do lado direito, na última contraluz do poente se delineava as cruzes de um cemitério, o reflexo no mármore revelava estátuas de anjos tristes olhando para baixo.

Phillip acelerou o carro para tentar chegar mais rápido possível, não queria se perder à noite. O cemitério ficara para trás e o começo da noite acabou por diminuir sua ansiedade, já podia ver a luz da pequena cidade refletindo na névoa cercada entre as colinas.

Depois de infindáveis curvas apontou numa reta e a cidade finalmente apareceu a sua frente. Era mais graciosa do que poderia imaginar, uma praça com uma igreja gótica, nas ruas subindo pelas colinas, em luz neon lia-se arcade e boliche, pub, pizzaria, grill, Night Club. Ficou animado de se divertir e comer, aproveitar a noite agradável depois de um banho para tirar o cansaço da viagem.

Seguindo as instruções da voz no aplicativo de localização em pouco mais de cinco minutos chegou ao endereço programado onde indicava a carta, seria essa a sua casa enquanto quisesse permanecer nela. Um sobradinho simpático com jardim de rosas e ciprestes italianos emoldurando a fachada.

O cartão abriu a porta e ao acender a luz viu o lugar limpo com uma bela mobília bem lustrada, depois de um copo d’agua e uma rápida aliviada na bexiga subiu as escadas e deparou-se com uma cama arrumada onde esticou o corpo cansado. Estava sentindo-se tão orgulhoso de si mesmo, de sua conquista, em sua mente procurou rever os meses de treinamento no tempo de experiência e como havia feito para ser bem sucedido, encontrar o investimento certo, farejar o lucro, surpreender os chefes. Mas não podia se dar por satisfeito, agora deveria ser mais incisivo, oferecer dedicação irrestrita, sabia podia alcançar muito mais!

Tomou um banho e foi conhecer a cidade a pé, caminhar por aquele sonho, desfrutar da tranquilidade e da beleza inexistente nas cidades ordinárias, onde esperava não precisar viver mais.

As ruas vazias denotavam que todos deveriam já estar nos estabelecimentos de diversão e gastronomia, então era para eles que deveria ir.

Ao chegar à rua da praça da igreja admirou-se ainda mais com a requintada arquitetura da igreja vista à distância toda iluminada.

 Súbito um blackout mergulhou toda cidade na escuridão.

Por não conhecer ainda o lugar ficou parado esperando que a luz voltasse. Passado um tempo ficou cansado e caminhando bem lentamente atravessou a rua, usando a luz do celular, para alcançar algum banco na praça onde pudesse se sentar até a luz voltar. Em frente à igreja um pequeno poste de luz a óleo foi a aceso, a baixa claridade lhe chamou a atenção e pode ver a silhueta de um homem com vestimentas de sacerdote voltando para dentro da igreja. Olhando em volta percebeu que nas casas também surgia a luzinha amarelada de velas sendo acesas.

Depois de um tempo de acomodado ao banco um som parecido com um choro de bebê quebrou o silêncio em que a pequena cidade havia mergulhado junto com a escuridão. O choro do bebê ficou mais forte e guiou seu olhar de volta para o lado da igreja, sob a luz a óleo viu que havia um cesto de onde parecia vir o choro. Deteve-se um tempo e como o choro só aumentava foi até lá ver o que se passava, se havia alguém por ali, talvez alguém abandonara aos cuidados da caridade religiosa, mas em uma cidade que é um refúgio da prosperidade era estranho...

Chegando ao cesto, uma manta contornava o corpinho do bebê e um capuz desproporcional cobria sua cabeça caindo sobre seu rosto, parecendo dificultar sua respiração. Antes de chamar o sacerdote para tomar ciência da situação resolveu descobrir o rostinho do pequenino para evitar que se sentisse sufocado. Nesse momento agachado junto ao cesto levou um susto que o fez perder o equilíbrio e cair sentado no piso de pedra da praça.

Chocado voltou para olhar o rosto desfigurado do bebê. Algo totalmente anormal, a volta de seus olhos era preta a primeira olhada até pareceriam buracos, seu nariz também era deformado com as narinas voltadas para cima como as de um porco, e na sua boca via-se dentinhos desordenados e pontiagudos. O bebê exalava um forte odor de podridão que o fez vomitar.

Correu até a igreja, bateu na porta e tentou a maçaneta, não estava trancada e se abriu, de frente para o altar o sacerdote orava ajoelhado sob castiçais com velas acesas, com a cabeça baixa e as mãos unidas diante do rosto.

Com a voz trêmula chamou:

_Padre!

Mas o sacerdote não interrompeu a oração. Chamou e novo tentando balbuciar seu horror.

_Padre, tem uma criança abandonada lá fora... Toda deformada!

Mas o religioso ainda estava no seu transe profundo de oração. Tentou mais uma vez gaguejando.

_Padre, você tem que ir ver a criança! A volta dos seus olhos é muito escura! O nariz são dois buracos enormes! E a boca...

Não conseguiu descrever e continuou.

_Padre o rosto da criança é...

O padre finalmente terminou a oração com o sinal de cruz e virou-se respondendo:

_Assim?

A visão do rosto do padre fez o sangue do pobre homem congelar nas veias, ele tinha as mesmas deformidades! Sem entender o que estava acontecendo foi recuando para a saída da igreja, o padre vinha em sua direção. Apressou o passo e saindo da igreja avistou uma multidão com velas acesas em torno de onde estava a criança.

As velas seguradas na altura do rosto revelavam as horríveis deformidades daquela bizarra população. Teve o ímpeto de fugir do meio de toda aquela insanidade, mas foi cercado. Tomado pelo pânico ficou paralisado, a multidão monstruosa se fechava em torno dele e começava a agarrá-lo, sem poder reagir acabou desmaiando.

Acordou com o som da campainha, estava na cama de sua casa, tinha acordado de um pesadelo sufocante.

Olhou o relógio, precisava se arrumar e ir para empresa, foi ver quem estava à porta. Uma jovem mulher elegantemente vestida em seu tailleur adiantou-se:

_Bom dia Phillip meu nome é Linda (e ela era mesmo!) sou sua secretária, vim hoje para guiá-lo pelo complexo da empresa até sua sala e depois até a sala de reuniões.

A visão daquele rosto o deixou um tempo mudo de surpresa e ela mudou o olhar e sorriu como quem pede uma resposta. O rapaz percebeu e respondeu.

_Entre, estarei pronto em um minuto, cheguei cansado ontem e acabei apagando na cama.

A secretária olhou em direção a cozinha e disse.

_Temos uma hora ainda, enquanto você se arruma eu faço um café.

No banho Phillip estava sorrindo, tinha uma secretária linda na sua cozinha lhe preparando um café! Depois do pesadelo da noite despertara para a realidade da vida dos seus melhores sonhos.

Tomaram café e ela antes de levá-lo em seu carro para o primeiro dia de trabalho ajeitou sua gravata e arrumou o caimento do paletó nos ombros. Mais próximo da empresa as mansões dos executivos mais importantes aumentaram seu desejo de rapidamente “chegar lá”, ele tinha tudo para conseguir.

Chegando na empresa ela o deixou na sua sala e disse:

_Daqui a trinta minutos venho buscá-lo para sua primeira reunião (apontou o botão no telefone) nesse ramal você me chama a qualquer hora.

Mais uma vez ela sorriu e deixou a sala. O notebook sobre a mesa estava ligado, ele já podia visualizar as informações das tarefas que esperava pela frente.

De repente começou a perceber um cheiro ruim, olhou debaixo dos sapatos e não havia pisado em nada... O cheiro parecia vir dele mesmo, mas seu terno acabara de ser lavado, ele foi ao banheiro lavar as mãos e olhar a parte de trás do terno no espelho, não havia nada.

Foi até a janela da sala para pegar um ar fresco, sua secretária voltou com o cesto de presentes de boas-vindas do qual ele já havia ouvido falar, um relógio Rolex, uma garrafa de whisky, vinhos e dispositivos eletrônicos de última geração, celular, notebook etc. Pensou, “essa empresa sabe mesmo animar seus executivos”.

Ao retirar o Rolex para colocar no punho, percebeu que o cesto não era estranho... Lembrou-se do sonho, tirou as mãos de cima das coisas, ficou intrigado. Depois pensou que na verdade todos os cestos são iguais. O cheiro voltou a lhe incomodar e sua secretária veio lhe chamar para a reunião mais importante da sua vida até ali.

Andaram pelos corredores e chegaram a uma sala enorme. Uma cortina cobria o que deveria ser uma tela de projeções, a frente um púlpito onde um dia daria as diretrizes da condução de um grande negócio, a apresentação de um novo produto, algo realmente importante.

O presidente e o vice da companhia entraram juntos com os executivos que vinham chegando, todos riam animadamente e o presidente disse:

_Tomem seus lugares à mesa senhores, vamos dar as boas-vindas ao nosso novo membro, ele concluiu seu treinamento de forma brilhante e certamente ajudará a todos nós a ficarmos mais ricos.

Todos riram como era esperado e cumprimentaram o novato. Ele correspondeu em meio ao seu desconforto pelo fedor, que só aumentava e começava a fazê-lo suar.

O presidente tomou seu lugar no púlpito, a cortina da tela de projeções se abriu e ele discorreu sobre os planos de negócios e as metas enquanto na tela apareciam os gráficos, as áreas onde dominariam o mercado, os custos, os lucros esperados. Ele dizia:

_Senhores, não temos espaço para hesitações ou falhas, precisamos agir todos com um único propósito, nos dedicar mais do que cem por cento. O que nos distingue? Que nos possibilita ter nossa própria cidade, uma ilha de paz e prosperidade? É que somos a Y Corp!

Enquanto falava o presidente, na mesa foram sendo colocadas para cada membro executivo bacias e taças de prata. Phillip ficou intrigado, qual será o produto a ser exibido? O discurso prosseguia.

_Seja qual for o objetivo designado, nós cumprimos, executamos!

O novo membro seguia o discurso, já estava nauseado e tonto pelo forte odor que sentia. Buscou uma jarra de água à sua frente, mas quando verteu sobre a taça viu um líquido escuro escorrer, no reflexo da prata sua figura distorcida na curvatura lembrava as criaturas do seu terrível pesadelo. Nas bandejas dispostas à mesa via como num espelho cada membro como uma daquelas criaturas bizarras que o cercaram e o sufocaram.

_Vamos agora ao trabalho, disse o presidente com um aceno para que trouxessem o material a ser distribuído para cada um.

Quatro homens vestidos de mordomos vieram trazendo jarros enormes e derramaram nas bacias uma mistura macabra de sangue com cortes de partes humanas, na qual ele via, um nariz, olhos, couro cabeludo com cabelos flutuando na sopa de sangue, além do que pareciam ser pedaços de intestino recheados com fezes e uma orelha que emergiu em meio aquilo tudo.

Seria aquilo um trote? Um teste? Uma piada doentia?

Seus colegas em volta pegaram suas colheres e começaram a comer a iguaria exalando a podridão, onde se movimentavam o que só poderiam ser vermes.

Aquilo era impossível! O que significava tudo aquilo?

Alguns de seus colegas acenando com olhares o aconselhavam a começar a comer. Foi quando ele notou que os mordomos se aproximavam segurando porretes de madeira. Quanto mais próximo os mordomos chegavam mais rápidos os executivos devoravam o conteúdo das bacias. Até que um deles não aguentou a engolir mais e começou a vomitar, seus colegas ao verem, viraram os rostos. Os mordomos se acercaram dele e agarraram seus braços o arrancando da mesa. O homem arrastado gritava, “eu vou comer, eu vou comer tudo, me deixem comer por favor!”. Com uma pancada na cabeça o derrubaram no chão e começaram a arrancar suas roupas. Puxado pelos pés, foi levado até próximo ao púlpito sob o olhar de reprovação do presidente da empresa. Duas cordas desceram do teto e seus pés foram amarrados, sendo ele içado de cabeça pra baixo, nu.

Phillip estava petrificado na sua cadeira, não sabia o que estava acontecendo naquele lugar.

A sala de reuniões escurece e na tela é projetada a imagem da criatura de olhos vazios e formas distorcidas. O presidente e os diretores vestem casacas cerimoniais, o presidente com a casaca dourada recebe de um dos mordomos uma faca do tipo de açougueiro. As cordas são puxadas mais para o alto e as pernas do homem se abrem, deixando a toda a base dos genitais exposta. Usando uma pequena escada o presidente sumo-sacerdote sobre até a altura necessária para ter acesso e mutilar o saco escrotal e o pênis juntos.

Os diretores com suas casacas verdes em volta se ajoelham e gritam “aleluia”! Os órgãos genitais são mostrados no alto para todos verem e uma nova arremessa de restos humanos começa a ser despejada nas bacias.

O mordomo vê a bandeja do jovem executivo ainda cheia e o manda comer, os outros mordomos começam a se aproximar e o rapaz fecha os olhos e começa a pegar pedaços da sua bacia e a colocar na boca. Os mordomos vão chegando às suas costas e ele começa a comer mais rápido.

Os diretores erguem os braços em adoração a criatura projetada na tela e o corpo com o braços esticados de cabeça pra baixo e as pernas para cima afastadas formando um Y se mistura ao logo da Y Corp, com um Y escorrendo sangue.

Quando os mordomos finalmente olham para a sua vasilha, esta já está vazia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fim De Lost


Acabou-se.

Da melhor forma que poderia acabar.

Os criadores e roteiristas de Lost fizeram uma série realmente surpreendente, nem todos os episódios foram fantásticos, mas isso não importa, pois embora não tivessem um roteiro definido eles sabiam o que queriam dizer e sempre procuraram o melhor modo de fazê-lo.

Quando se desconfiava da redundância de certo episódio, a se entender a famosa "encheção de linguiça", o tempo estava sendo bem contado, sequenciando nuvens escuras sobre os personagens, pessoas se embrenhando na vegetação selvagem e o som inexorável do boing decolando.

Um a um os heróis foram confrontados e explorados pela fatalidade dirigida pelo ambiente da ilha. O mistério da ilha era simples, foi contado nos quatro últimos capítulos, o mistério dos personagens, do que eles se tornavam a cada episódio, esse sim era complicado e foi realizado de forma séria e competente pelo elenco que atuou como uma grande equipe.

A lição da Ilha sobre os personagens e a mensagem para os espectadores, fecharam da forma sublime a saga de seis temporadas, falava de transcendência, do movimento ao próximo degrau de existência. O assunto comum das religiões, pelo qual, sem dúvida, é válido se empenhar em uma longa série de TV.

Bati palmas para o final e agradeço como espectador, espero que outra grande aventura apareça em breve.

O fim de Lost foi apenas o último flash.
Esteja sempre atento!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um Canto

Queria encontrar um canto
e escrever ali.
Ficaria ali,
ali mesmo
pra ninguém.
Ninguém ler.
Pra quê?
Não sei.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Fuga



Muros musgosos esgueirantes
Gravetos delatores
Lama e breu.

Falsas passagens infelizes
Espelhos enterrados
Árvores de adeus.




terça-feira, 19 de maio de 2009

X-Man Origins, Wolverine

Nem o fator de cura nem o esqueleto de adamantium salvaram nosso amigo de ser destruido pelo fanfarrão Hugh Jackman (um dos produtores do filme inclusive) e o diretor Gavin Hood que parece nunca ter lido um quadrinho do Wolverine na vida.

Depois do filme peguei alguns gibis em formatinho (aqueles menores qua não vendem mais) e li suas origens esmiuçadas, por Chris Claremont e Frank Miller na mini-série "Wolverine" lançada em 87 e "A Arma X" do viceral e impecável Barry Smith. O personagem desses quadrinhos é um animal saguinário tentando controlar seu ódio, na realidade ele nem é um X-Men , ele só está alí pro Xavier tentar resolver a bagunça que fizeram na sua memória, por ele estaria sozinho num bar tomando uma cachaça ou procurando um canalha para arrancar o sangue.
Ele é meio cachorro, corre arqueado, fica um tempão sem tomar banho, quando fica louco funga e baba que nem um lobisomem, nada daquele figura fazendo o tipo galã, se fosse para o público feminino ver um romance com o Hugh, que vissem o "Austrália", outro filme ruinzinho na qual também se meteu a senhora Nicole...

Os detalhes do projeto Arma X, onde vários desenhistas contribuiram com estudos de anatomia, criaram os instrumentos que injetaram o metal adamantium no seu corpo mal apareceram no filme mas são cruciais para se entender o sofrimento que ele carrega, seu fator de cura tenta se curar de um metal quase indestrutível , isso o torna ainda mais insano e o arrasta para seu lado assassino.

Não entendo como a Marvel pode ter tratado com tamanha negligência um personagem tão importante, depois dos ótimos "Homem Aranha 3", "Hulk 2" e "O Homem de Ferro" esperava algo muito melhor.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Poema Presente

De Gustavo Terra

Brincando de bate-palma com o avô

a pequena não sente

não vê no embasso dos olhos

a vida petrificada

a estátua

a espera...

em seu vestidinho amarelo celeste

ela não sente

o peso da história

de um homem

o chão a trama solta

memória

na fibra cega que a veste

fibra só brilho

fímbria agreste de sol incolor

no amarelo

ela nada vê

não é ela que sonha

ou espera o poema

ela apenas pinta

o dia novo de sempre

que voa

na indivisível

tela.

28/02/09

quarta-feira, 18 de março de 2009

Watchmen

O que dizer quando a mente é religada a sétima ou oitava série ao fim dos anos 80...

Foi quando a indústria de gibis resolveu embaralhar os quadrinhos adultos e juvenis nas prateleiras.

Não dava mais para sair com os mesmos de sempre das bancas. Ler quadrinho se tornou outra coisa, havia neles algo sujo, pervertido.

Me lembro do Marshal Law, com um arame farpado enrolado no braço e uma máscara sado-masoquista, ele dizia que caçava heróis mas até o momento não havia encontrado nenhum.

Realmente era hora de encarar, os heróis não podiam existir nem nos quadrinhos... A merda do mundo estava desabando de vez, era hora usar qualquer leitura disponível para ficar esperto, paranóico, isso podia salvar sua vida.

De fato, vários amigos dos doze pros dezoito morreram ali do nosso lado, violentamente. O estrago já estava feito, não haveria mais criança brincando na rua sem uma mãe minimamente consciente saber onde.

Os argumentistas passaram a se preocupar em dizer, vamos saber o que é o ser humano, vamos saber o que é a política, os heróis foram encobertos pro uma sombra pessimista, a resposta ao cenário real não podia ser outra, uma luta nunca terminava, o sabor de triunfo era uma respiração curta.

O filme começa nos anos cinquenta quando a 2ª Guerra e por fim a Bomba haviam saciado as inclinações sádicas da humanidade como o gozo de uma masturbação doentia. Nos lembramos "oh somos humanos, a imagem de Deus!". Os EUA de fato nunca saíram dos 50’s, sempre voltam lá procurando lembrar qual era mesmo seu sonho.

A música de Bob Dylan ao fundo bate nostálgica e dolorida, os heróis de Allan Moore e Dave Gibbons são personagens de parque de diversões congelados numa fotografia, os tempos estão mudando diz a canção. Eles serão vilões, eles odiarão o mundo do qual deverão se defender.