Gravetos delatores
Lama e breu.
Espelhos enterrados
Árvores de adeus.
Um garotinho pega um copo d'água e como experiência mistura umas folhinhas bem escolhidas e um inseto morto. De repente...
Nem o fator de cura nem o esqueleto de adamantium salvaram nosso amigo de ser destruido pelo fanfarrão Hugh Jackman (um dos produtores do filme inclusive) e o diretor Gavin Hood que parece nunca ter lido um quadrinho do Wolverine na vida.
Depois do filme peguei alguns gibis em formatinho (aqueles menores qua não vendem mais) e li suas origens esmiuçadas, por Chris Claremont e Frank Miller na mini-série "Wolverine" lançada em 87 e "A Arma X" do viceral e impecável Barry Smith. O personagem desses quadrinhos é um animal saguinário tentando controlar seu ódio, na realidade ele nem é um X-Men , ele só está alí pro Xavier tentar resolver a bagunça que fizeram na sua memória, por ele estaria sozinho num bar tomando uma cachaça ou procurando um canalha para arrancar o sangue.
Não entendo como a Marvel pode ter tratado com tamanha negligência um personagem tão importante, depois dos ótimos "Homem Aranha 3", "Hulk 2" e "O Homem de Ferro" esperava algo muito melhor.
Brincando de bate-palma com o avô
a pequena não sente
não vê no embasso dos olhos
a vida petrificada
a estátua
a espera...
em seu vestidinho amarelo celeste
ela não sente
o peso da história
de um homem
o chão a trama solta
na fibra cega que a veste
fibra só brilho
fímbria agreste de sol incolor
ela nada vê
não é ela que sonha
ou espera o poema
ela apenas pinta
o dia novo de sempre
que voa
na indivisível
tela.
28/02/09
O que dizer quando a mente é religada a sétima ou oitava série ao fim dos anos 80...
Foi quando a indústria de gibis resolveu embaralhar os quadrinhos adultos e juvenis nas prateleiras.
Não dava mais para sair com os mesmos de sempre das bancas. Ler quadrinho se tornou outra coisa, havia neles algo sujo, pervertido.
Me lembro do Marshal Law, com um arame farpado enrolado no braço e uma máscara sado-masoquista, ele dizia que caçava heróis mas até o momento não havia encontrado nenhum.
Realmente era hora de encarar, os heróis não podiam existir nem nos quadrinhos... A merda do mundo estava desabando de vez, era hora usar qualquer leitura disponível para ficar esperto, paranóico, isso podia salvar sua vida.
De fato, vários amigos dos doze pros dezoito morreram ali do nosso lado, violentamente. O estrago já estava feito, não haveria mais criança brincando na rua sem uma mãe minimamente consciente saber onde.
Os argumentistas passaram a se preocupar em dizer, vamos saber o que é o ser humano, vamos saber o que é a política, os heróis foram encobertos pro uma sombra pessimista, a resposta ao cenário real não podia ser outra, uma luta nunca terminava, o sabor de triunfo era uma respiração curta.
O filme começa nos anos cinquenta quando a 2ª Guerra e por fim a Bomba haviam saciado as inclinações sádicas da humanidade como o gozo de uma masturbação doentia. Nos lembramos "oh somos humanos, a imagem de Deus!". Os EUA de fato nunca saíram dos 50’s, sempre voltam lá procurando lembrar qual era mesmo seu sonho.
A música de Bob Dylan ao fundo bate nostálgica e dolorida, os heróis de Allan Moore e Dave Gibbons são personagens de parque de diversões congelados numa fotografia, os tempos estão mudando diz a canção. Eles serão vilões, eles odiarão o mundo do qual deverão se defender.
Desenho: Daniel AlmeidaSolto, o corpo do astronauta deriva pelo espaço.
Sozinha em sua nave ela segue o sinal mostrado pelo radar.
No monitor posicionado como um relógio o astronauta confere a autonomia dentro do seu traje de sobrevivência (carga dos propulsores, armas, oxigênio, alimento). Certo de que ela pode ver a posição na qual se encontra, deseja imensamente que pudesse ter o ímpeto de deixar tudo e cruzar o espaço ao seu encontro.
Ilusões eram tudo naquele momento...